sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Historia dos surdos


O filósofo grego Sócrates perguntou ao seu discípulo Hermógenes: “Suponha que nós não tenhamos voz ou língua, e queiramos indicar objetos um ao outro. Não deveríamos nós, como os surdos-mudos, fazer sinais com as mãos, a cabeça e o resto do corpo?” Hermógenes respondeu: “Como poderia ser de outra maneira, Sócrates?” (Cratylus de Plato, discípulo e cronista, 368 a.C.).
 Idade Média
- Os surdos eram sujeitos estranhos e objetos de curiosidades da sociedade;
- Aos surdos era proibido receberem a comunhão;
- Também existiam leis que proibiam os surdos de receberem heranças, de votar e, enfim, de usufruírem de todos os direitos como cidadãos.

 Idade Moderna

- O monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510- 1584), defendeu o direito à herança.
- Fray de Melchor Yebra, de Madrid, escreveu livro chamado “Refugium Infirmorum”, que descreve e ilustra o alfabeto manual da época.


Samuel Heinicke (1729-1790), “Pai do Método Alemão” – Oralismo puro – iniciou as bases da filosofia oralista, onde um grande valor era atribuído somente à fala, na Alemanha.
Em 1778 - Fundou a primeira escola de oralismo puro em Leipzig, inicialmente a sua escola tinha 9 alunos surdos.
 Idade Contemporânea até hoje

Abade Charles Michel de L’Epée (1712-1789), em Paris conheceu duas irmãs gêmeas surdas que se comunicavam através de sinais, iniciou e manteve contato com os surdos carentes e humildes, procurando aprender seu meio de comunicação e levar a efeito os primeiros estudos sérios sobre a língua de sinais.
Fundou a primeira escola pública para os surdos “Instituto para Jovens Surdos e Mudos de Paris” e ensinou inúmeros professores para surdos.
Em 1789 Abade Charles Michel de L’Epée morre.
Na ocasião de sua morte, ele já tinha fundado 21 escolas para surdos na França e na Europa.

Em 1802 nos Estados Unidos, Jean Marc Itard, afirmava que o surdo podia ser treinado para ouvir palavras, ele foi o responsável pelo clássico trabalho com Victor, o “garoto selvagem” (o menino que foi encontrado vivendo junto com os lobos na floresta de Aveyron, no sul da França).



Em Hartford, nos Estados unidos, Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851).
Em 1864 foi fundada a primeira universidade nacional para surdos “Universidade Gallaudet” em Washington – Estados Unidos, um sonho de Thomas Hopkins Gallaudet realizado pelo filho do mesmo, Edward Miner Gallaudet (1837-1917).

“Universidade Gallaudet” em Washington – Estados Unidos.

Professor surdo Laurent Clerc, melhor aluno do “Instituto Nacional para Surdos Mudos”, de Paris;

Fundaram em Hartford, 15 de abril, a primeira escola permanente para surdos nos Estados Unidos, “Asilo de Connecticut para Educação e Ensino de pessoas Surdas e Mudas”.


Alexander Melville Bell (1847-1922)

Professor de surdos, o pai do célebre inventor de telefone Alexander Grahan Bell, inventou um código de símbolos chamado “Fala vísivel” ou “Linguagem vísivel”, sistema que utilizava desenhos dos lábios, garganta, língua, dentes e palato, para que os surdos repetissem os movimentos e os sons indicados pelo professor.

Em 1855 Eduardo Huet, como professor surdo, com experiência de mestrado e cursos em Paris, chega ao Brasil sob beneplácido do imperador D.Pedro II, com a intenção de abrir uma escola para pessoas surdas.
Em 1857 foi fundada a primeira escola para surdos no Rio de Janeiro – Brasil, o “Imperial Instituto dos Surdos-Mudos”, hoje, “Instituto Nacional de Educação de Surdos”– INES, no dia 26 de setembro.
O dia do surdo é comemorado no dia 26 de setembro, homenagem à inauguração da primeira escola de surdos do Brasil em 1857, o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos).

INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos.
Em 1875, um ex-aluno do INES, Flausino José da Gama, aos 18 anos, publicou “Iconografia dos Signaes dos Surdos-Mudos”, o primeiro dicionário de língua de sinais no Brasil.

Em 1880, surgiu o Congresso Internacional de Surdo-Mudez, em Milão – Itália, onde o método oral foi votado o mais adequado a ser adotado pelas escolas de surdos e a língua de sinais foi proibida oficialmente alegando que a mesma destruía a capacidade da fala dos surdos, também argumentando que os surdos são “preguiçosos” para falar, preferindo a usar a língua de sinais. Na ocasião de votação, durante a assembléia geral realizada no congresso, todos os professores surdos foram proibidos de votar e excluídos. Dos 164 representantes presentes ouvintes, apenas 5 dos Estados Unidos votaram contra o oralismo puro.
Skliar aponta (1998, p. 16):
Ainda que seja uma tradição mencionar seu caráter decisivo, o Congresso de Milão, de 1880 – onde os diretores das escolas para surdos mais renomadas da Europa propuseram acabar com o gestualismo e dar espaço à palavra pura e viva, à palavra falada – não foi a primeira oportunidade em que se decidiram políticas e práticas similares. Essa decisão já era aceita em grande parte no mundo inteiro.
Outro fato histórico que merece destaque é a história de vida de Helen Keller, que proporcionou a ampliação de conhecimento sobre a educação de criança surdas e cegas (surdocegueira).
Helen Keller ficou surda e cega aos 2 anos de idade em conseqüência de febre alta. Ela se tornou uma menina revoltada. Destruía tudo o que lhe caia às mãos, recusava-se a comer direito e a deixar-se vestir, pentear e lavar. Então os pais, desesperados, procuraram ajuda e foi-lhes indicada a professora especializada que se tornou muito importante na vida de Helen: Anne Sullivan.
Helen Keller obteve graus universitários e publicou trabalhos autobiográficos e artigos diversos. Ela lutou para difundir os métodos de ensino aos surdos-cegos e pela aceitação das pessoas como ela pela sociedade. Assim sua corajosa conquista serviu de exemplo e inspiração aos surdos-cegos!

Filme: “O Milagre de Anne Sulllivan”.

É um filme feito em 1962, do gênero drama, dirigido por Arthur Penn, baseado em história real que relata sobre a incansável tarefa de Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma professora, que tenta fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega e surda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam.

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